sexta-feira, fevereiro 03, 2012

Do you marry me ?


[ no, thanks. ]

aliança
(aliar + -ança)
s. f.
1. Laço que prende duas ou mais entidades que se prometem mútua amizade e auxílio.
2. Laço existente entre duas famílias, mediante casamento.
3. Anel liso geralmente de ouro, que simboliza o casamento ou um comprometimento.

Aliança é sempre só consigo.

Self-Love


[ no-one is there ]

Faz diariamente de meu coração
prato seleto de teu banquete glutão
Devora os nacos, sem tato
os meus sentimentos intactos.

Engole assim tudo de ruim
arrancando por fim
toda essa paixão sem pudor
matando aos prantos meu amor.

Everyday I love you...

[ less and less.. ]


Nos modificamos por quem julgamos merecer.
Mudamos e abandonamos alguns hábitos, criamos novas rotinas, nos adaptamos.
Tudo pra tentar agradar e corresponder às expectativas em nós depositadas, porque sim, nos enchem de expectativas, de metas, de linhas retas a seguir.
Nos ditam comportamento e posturas, que obedecemos sem pestanejar.
Mas porquê ?
Porque AMAMOS.
Agradamos que amamos, giramos nosso mundo ao redor do amor que achamos correto, fazemos o impossível para estar perto.
De tudo tentamos, árdua e assiduamente.

E pra quê, se a sintonia dos batimentos cardíacos é díspar ?

O gostar jamais toca nem os pés do amar.
São como migalhas comparadas ao pão.
E eu não sou pássaro algum pra me alimentar e sobreviver delas.

quinta-feira, janeiro 19, 2012

Mais uma dose.

[ é claro que eu tô afim... ]


Nessa vida de prazeres e miséria,
três são os princípios que regem o papel da gente no mundo:
Impermanência (nada fica do jeito que é. Nunca);
Imperfeição (não adianta: o homem procura a perfeição, que nunca encontra);
Incomplitude (você passa a vida inteira tentando encontrar e chegar num momento em que tudo seja completo, permanente e perfeito).
Essa é a busca infrutífera da raça humana.
Sociedade humanóides fantásticas.

Nada é veneno, tudo é veneno.
Basta a ti, dosar.
Mais uma dose,
por favor.

sábado, janeiro 07, 2012

Diário de Bordo II





NEGAÇÃO.

"E do perder-se de espaço
Da mente insana e corpo trêmulo
Tornei-me ampulheta
De sinuosa cintura e tempo inteiro."

Diário de Bordo




SOFREJO.

E nos des-casos
dos diários casos
restam apenas acasos
que não explicam
e nem concluem
os fatos

Re-compor





Lindas são as histórias de amor dos filmes.
Não existe tempo duradouro pra sofrimento, mágoa ou decepção.
Tudo é perfeitamente e simetricamente consertado antes mesmo do fim.
Não há fim, por melhor dizer, a não ser o clichê do "Feliz pra Sempre".
Lá, não há tristeza pequena feita nas "microações" diárias, você só se felicita e ri com as surpresas lindas e juras de amor eterno.
Aqui, a gente se deprime, sofre e dói.
Lá, ombros amigos, diversão e festas épicas.
Aqui, também, mas eu prefiro me recompor sozinha.

Castelo de água







Ele acordou em mais um santo dia de chuva
Abriu os olhos e sorriu
Olhou o mundo com a grandeza de um rei
E respirou o ar da liberdade e se lembrou
Que o caminhar livre de um homem
Nenhum dinheiro pode comprar
Nada como um dia após o outro para estar
Preparado para guerra que virá, diferente amanhã..

Mato Seco

sexta-feira, dezembro 16, 2011

Foi-se.



-

Vai, com garras caninas tão tuas
E arranca por vez esse felino coração
Que por ti tinha tanta devoção.

Vai, lobo vil que uiva minha dor
Lança ao chão com ferver o meu amor
E cessa por vez esse torpor.

Joga pro alto então,
tudo que denominavas de paixão.
Condenas minha imperfeição
Por amar-te tanto, em vão.



-

100 +



[ desnudo de si ]


enquanto a fumaça gira ao meu redor
eu permaneço vendo a cor que me convém
só queria que você quisesse
só queria que você estivesse
aqui.

sem paz
sem pais
sem mais
é assim que eu estou.

sexta-feira, dezembro 02, 2011

no-more-?

[ where.. ? ]


e são meus
não mais teus
escritos ontem
poemas para o amanhã
que hoje já não sinto.

Ressaca de quê ?

[ despertar-se de si ]


e, justo ontem,
quando:
o corpo falha
a fronte esquenta,
o suor gela,
a nicotina me enjoa,
é que eu mais preciso de um cigarro.

e, justo hoje,
quando:
o coração palpita,
a mente divaga,
o peito cansa,
a lágrima desce,
o corpo treme,
a cama cresce,
é que eu mais preciso de você.


Ou não.

-

Cof, cof...

[ do tss às cinzas ]


-

tsss..


Acendo um cigarro.

O vício é tudo que você deixou pra mim.

Você virou fumaça no meu peito,

nicotina entre os dedos,

minha marca preferida,

vou fumar você.



Enquanto o fogo queima nos meus olhos,

toda dor tem seu prazer.

Respiro mais fumaça do que antes

pra me lembrar de você.

Vou morrendo devagar

e ficando em cinzas.

Eu preciso lhe apagar de mim

pra ter o ar nos meus pulmões,

Eu só preciso respirar.



Meu corpo todo pede seu calor

Mais um trago pra me aquecer

Por tempo ainda resta minha voz

e eu pretendo me dizer

que vou ter que te deixar

pra ter ar nos meus pulmões

eu não preciso de você ?

eu preciso me apagar de mim.



-

terça-feira, novembro 22, 2011

Bipolaridade

[ in a manner of speaking ]




e hoje ?
as buscas cessam
as saudades sufocam
as palavras calam.

hoje,
só eu e meu silêncio.

-


"In a manner of speaking
I don't understand
How love in silence becomes reprimand
But the way that i feel about you
Is beyond words...

So in a manner of speaking
I just want to say
That just like you
I should find a way
To tell you everything
By saying nothing."

[ Tuxedomoon - In a Manner of Speaking ]



quarta-feira, novembro 16, 2011

[ aquarela desnuda ]




E nos des-casos
de nossos diários casos
não somos de acasos,
só enlaços
com abraços
tão fartos
quantos as cores
em nossos braços.


quinta-feira, outubro 20, 2011

[ ashtray girl ]


Eu - cinzas de cigarro.
Ponto e vírgula dos textos.
Unha que cresce e é quebrada.
Papel rasgado de presente.
Copo vazio e sujo na mesa.
Poema que ninguém lê.
Sapato comido.
Aliança perdida,
e só.

-



quarta-feira, junho 01, 2011

Des-casos

[ fantasmas de experiências ]









das cores
das dores
das flores
dos tempos
dos passos
dos casos
de acasos
de furores
de amores
as avessas
as sextas
as mesas
os pares
os lares
os andares
e risos
e gritos
e gemidos
tão sussurros
tão discretos
tão eternos
Dispersos.

Eterno
encontrar-se
pra perder-se
em braços
abraços
e enlaços
que se rompem com um traço.
E o que fica
E o que vai
Das manias que não lembro mais
Trejeitos, maljeitos,
Desfeitos.

E o que virá agora
Pra que amanhã eu esqueça ?

quarta-feira, março 16, 2011

Já fui, já fomos...

[ never more ]


Entrei.
como estrondo, entrei.
Baby, estrago eu sei que causei.
Visível, tocável e irreal

Brinquei.
com tua alma e rasguei
Baby, teu corpo mastiguei

Lembra de quando eu vim para cá,
a primeira vez?
virei tua vida de cabeça para baixo
e você bem mansinho..
sem nem saber o porquê de querer,
porque amor quente que nem o meu
você nunca teve nessa vida.
E nem vai ter.
Desse jeito não.

É, então vem cá...
Vem sentir a minha pele em brasa
e o gosto gelado da minha boca
faz tudo como se fosse a última vez.
Faz, porque hoje eu vou embora.

quinta-feira, dezembro 30, 2010

Tátil figurado



[ sleeping with ghosts ]

Saudades.


Do tempo que não passamos juntos.
Dos beijos apaixonados que não demos.
Das noites que não dormimos juntos.
Das manhãs em que não acordei ao teu lado.
Das brigas que não tivemos.
Dos sorvetes que não dividimos.
Das declarações de amor nunca ditas ao pé do ouvido.
Das lágrimas que não rolaram.
Das palavras nunca jamais pronunciadas.
Dos pensamentos reprimidos.
Dos olhares de culpa que não foram vistos.
Das recepções calorosas que não vivemos.
Das despedidas tristes que não sentimos.
Das viagens que não curtimos.
Das conversas sérias que não tivemos.
Dos cigarros não fumados, até.

Mas, saudade mesmo, é do tempo.
Tempo onde tudo isso poderia ter existido.
Tempo que nunca, nunca voltará.
Saudade do tempo onde pensar nisso, era bom.

Saudades das saudades que deixavas no meu peito,
ardente como brasa,
presente como minha alma.

Hoje ?
Nas nuvens.
Inconsistente como elas.
Dormindo com o fantasma da tua saudade.



sábado, outubro 16, 2010

Assassínio.

[ vazio que a tudo consome ]

E de pé ergue-se tua unitária platéia,
aplaudindo secamente o último ato
do pequeno teatro de tragédias.

Ira-te contra teus próprios deuses!
Os mesmos que criastes conforme teu imaginário.
Revolta-te e agride-os com o mesmo furor antes dedicado a adorá-los.
Destrói seus templos e desfigura suas imagens,
buscando externar e findar a terrível dor que te consomes.
Odeia-os e os amaldiçoa, sem sequer entendê-los.
Mero mortal, conjunto carnal de sentimentos confusos!
Só enxerga suas próprias lamúrias...
Ergues em fúria teus punhos aos céus, pragueja aos brados!
Lança como raios ao Olimpo aos tuas frustrações,
em afronta ao próprio Zeus que és sem saber.
Nada és, mortal.
Nada és sem os deuses que tu mesmo criaste.
Assim como deuses nada são sem a incondicionalidade do teu amor e devoção.

E com feridas abertas das quais jorra um sangue grosso e incessante,
Com o gosto infinito de tal sangue amargo nos lábios,
os deuses aqui amaldiçoam sua própria existência.
Julgam-se mal, pessimistas que se tornaram.
Acreditam veemente, pelo total descontentmento do homem,
que só conseguiram causar dor e desamor.
E por quê ?
Por tanto se assemelharem aos mortais,
que tanto amam.
Que a tanto, amam.

Mais uma vez,
talvez a última delas,
Nietzsche matou Deus.